A Reforma Tributária sobre o consumo começa a sair do papel em 2026 e traz impactos diretos para o transporte de cargas. Embora a expectativa seja de simplificação do sistema tributário, o período de transição exige atenção das transportadoras, especialmente no que diz respeito à adaptação de sistemas, documentos fiscais e planejamento financeiro.
Neste artigo, explicamos o que de fato muda a partir de 2026, o que ainda está em fase de teste e como o setor pode se preparar para esse novo cenário.
O início da transição: IVA Dual em 2026
Desde o dia 1º de janeiro de 2026, o Brasil iniciou a fase de transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo, baseado no chamado IVA Dual, composto por dois tributos:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que substituirá gradualmente ICMS e ISS, sendo compartilhado entre estados e municípios.
Esses tributos irão, ao longo dos próximos anos, substituir PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI. No entanto, é importante destacar: 2026 será um ano de testes e adaptação, não de cobrança definitiva do novo sistema.
Etapas da transição
Durante 2026, o IBS e a CBS entram em operação de forma experimental. As alíquotas iniciais são simbólicas e compensáveis, justamente para permitir ajustes técnicos, validação de sistemas e aprendizado por parte das empresas e do poder público.
Por isso, não procede a ideia de que já haverá, em 2026, uma alíquota elevada e consolidada para o transporte de cargas. As discussões sobre possíveis alíquotas futuras fazem parte do debate setorial, mas não há definição legal de uma carga tributária final para o setor neste momento.
A cobrança efetiva e a substituição dos tributos atuais ocorrerão de forma gradual:
- 2026: testes e convivência inicial entre os modelos;
- 2027: a CBS passa a substituir PIS e Cofins;
- 2029 a 2032: transição de ICMS e ISS para o IBS;
- 2033: consolidação completa do novo sistema.
Documentos fiscais: atenção ao CT-e
Um dos impactos mais imediatos para as transportadoras está na documentação fiscal. A partir de 2026, documentos eletrônicos como o CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico) deverão incluir novos campos específicos para IBS e CBS, conforme as notas técnicas da Receita Federal.
Na prática, isso significa que:
- Sistemas emissores precisarão ser atualizados;
- Documentos sem os novos campos poderão ser rejeitados;
- Testes prévios e homologações serão essenciais para evitar falhas operacionais.
O que as transportadoras precisam fazer desde já
Mesmo com a transição gradual, 2026 exige preparação. Alguns pontos de atenção para as transportadoras incluem:
- Atualização de sistemas e ERPs, garantindo compatibilidade com os novos campos fiscais;
- Treinamento das equipes fiscal, contábil e operacional, para lidar com as novas regras e terminologias;
- Acompanhamento constante das legislações complementares e notas técnicas, que detalham a aplicação prática da reforma;
- Regularização cadastral, incluindo a manutenção do RNTRC em dia, evitando entraves operacionais.
Mais do que uma mudança tributária, a reforma traz um novo nível de exigência em organização de dados e conformidade fiscal.
O impacto para o setor de transporte
O objetivo da Reforma Tributária é simplificar e dar mais transparência à tributação sobre o consumo. Para o transporte de cargas, no entanto, o desafio está em atravessar o período de transição sem perda de eficiência, garantindo previsibilidade de custos e segurança operacional.
Empresas que se anteciparem, investindo em tecnologia, organização fiscal e planejamento, tendem a atravessar esse processo com menos riscos e mais competitividade.
No Carga Cheia, acreditamos que eficiência logística também passa por informação de qualidade, uso inteligente de dados e decisões bem fundamentadas. Acompanhar de perto as mudanças da reforma tributária no transporte de cargas é parte essencial desse caminho para uma operação mais sustentável, integrada e preparada para o futuro.
Reforma tributária, otimização do transporte e tecnologia
A transição para o novo modelo tributário reforça um ponto que já é crítico no setor: otimizar o transporte de cargas deixou de ser apenas uma vantagem competitiva e passou a ser uma necessidade operacional. Em um cenário de mudanças fiscais, pressão por eficiência e busca por previsibilidade de custos, reduzir a ociosidade dos veículos, aproveitar rotas já planejadas e tomar decisões baseadas em dados se torna ainda mais estratégico.
É nesse contexto que a tecnologia ganha protagonismo. Plataformas digitais que conectam embarcadores e transportadoras, facilitam a contratação de fretes de forma mais inteligente e aproveitam rotas existentes ajudam a diluir custos, aumentar a eficiência da operação e reduzir riscos durante o período de transição da reforma tributária.
Ao conectar oferta e demanda dentro de trajetos já definidos, o Carga Cheia contribui para uma logística mais eficiente, econômica e sustentável — valores que se tornam ainda mais relevantes diante das mudanças trazidas pela reforma tributária no transporte de cargas.
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